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São belas as aves que voam sozinhas.

Geração-Y

Um dia, sem aviso prévio, as pessoas se vão e nos deixam de lembrança as suas histórias

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São belas as aves que voam sozinhas.

Um dia, sem aviso prévio, as pessoas se vão e nos deixam de lembrança suas histórias. Sejam elas as vividas, ou as sonhadas. E as histórias de quem se foi, é a forma mais gostosa de eternizar aquela pessoa dentro de nós.

Quando uma pessoa querida se vai, ela deixa-nos uma parte de si. Deixa também um pouco de solidão. E a solidão, com o tempo, torna-se amiga. E assim, descobrimos com as pessoas que se foram, que um belo abraço e um olhar carinhoso sempre se faz presente, e, que nada verdadeiramente grande se faz sem uma parcela de amor.

Lembro-me como se fosse ontem do dia em que meu pai partiu. Eu não era lá um filho muito carinhoso, confesso. Já ele, também sempre foi um homem de poucas palavras quando o assunto eram os sentimentos. Nos bastávamos assim. Um pouco antes de partir, daquele seu jeito único que mesclava rispidez e sinceridade, ele parou alguns segundos e começou a divagar comigo. E, entre olhares e choros contidos, me disse da forma mais sincera possível que no leito de morte nós somos pessoas de verdade. Somos, pois conseguimos clarear os horizontes e sentir a emoção que é vivida naquele instante. Não há outras preocupações além de viver os últimos instantes que temos.

Ainda criança, olhei para ele um pouco sem chão e perguntei como iria conseguir me refazer sozinho. E com um sorriso que pouco havia visto, ele me disse com os olhos cheios de lágrimas que: São belas as aves que voam sozinhas.

A verdade é que um dia, cedo ou tarde, a dor invade sem pedir licença. Coloca-se ao nosso lado, conversa connosco e diz-nos que não irá embora até conversarmos com ela. A dor engana, cria ilusão, faz-se infinita. Hoje, sendo uma ave que voa sozinha, aprendi que o amor de uma pessoa que se foi, na verdade, não nunca se vai. Ele fica. Nas histórias, na saudade e na esperança certeira dela estar sempre torcendo por nós.

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Com alguns dias cheios de choro, e algumas pessoas perdidas, aprendemos que a vida não passa de uma oportunidade de encontro. Encontrar quem amamos, doar-nos inteiramente e saber que, mesmo não parecendo, isso foi o suficiente.

A saudade sempre grita. Mas a certeza do coração, diz a ela que um dia iremos descobrir que, como dizia Arthur Schopenhauer, o amor é a compensação da morte. Então, que nós consigamos valorizar e compreender mais as pessoas. Pois, todo coração pede, implora, uma oportunidade de deixar o seu amor eterno em nós.

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