Connect with us

Contos Para Ler

Nem sempre ficamos com os amores das nossas vidas

Encontrar e deixar o amor da tua vida não tem que ser a tragédia da tua vida.

Published

on

Eu acredito em grandes amores.

Mas falo e namoro como se não acreditasse.

Eu não tenho expectativas fúteis para o romance. Eu não estou à espera de sentir aquela sensação estranha de estar a flutuar. Eu sou um daqueles indivíduos raros, talvez um pouco cansados, que realmente gosta deste ambiente atual de conexão entre as pessoas e é feliz por viver numa época em que a monogamia não é necessariamente a norma.

Mas eu acredito em grandes amores, porque já tive um.

Eu tive esse amor que tudo consome. O amor do tipo “eu não posso acreditar que isto existe no mundo físico.”

O tipo de amor que irrompe como um incêndio incontrolável e então se torna brasa que queima em silêncio, confortavelmente, durante anos. O tipo de amor que escreve romances e sinfonias. O tipo de amor que ensina mais do que tu pensaste que poderias aprender, e dá de volta infinitamente mais do que recebe.

É amor do tipo “amor da tua vida”.

E eu acredito que funciona assim:

Se tu tiveres sorte, conhecerás o amor da tua vida. Tu estarás com ele, aprenderás com ele, darás tudo de ti a ele e permitirás que a sua influência te mude em medidas insondáveis. É uma experiência como nenhuma outra.

Mas aqui está o que os contos de fadas não te vão dizer – às vezes encontramos os amores das nossas vidas, mas não conseguimos mantê-los.

Nós não chegamos a casar-nos com eles, nem passamos anos ao lado deles, nem seguraremos as suas mãos nos seus leitos de morte depois de uma vida bem vivida juntos.

Nós nem sempre conseguimos ficar com os amores da nossa vida, porque no mundo real, o amor não conquista tudo. Ele não resolve as diferenças irreparáveis, não triunfa sobre a doença, ele não preenche fendas religiosas e nem nos salva de nós mesmos quando estamos perdidos.

Nós nem sempre chegamos a ficar com os amores das nossas vidas, porque às vezes o amor não é tudo o que existe. Às vezes tu queres uma casa num pequeno país com três filhos e ele quer uma carreira movimentada na cidade. Às vezes tu tens um mundo inteiro para explorar e ele tem medo de se aventurar fora do seu quintal. Às vezes tu tens sonhos maiores do que os do outro.

Às vezes, a maior atitude de amor que tu podes ter é simplesmente deixar o outro ir.

Outras vezes, tu não tens escolha.

Mas aqui está outra coisa que não te vão contar sobre encontrar o amor da tua vida: não viveres toda a tua vida ao lado dele não desqualifica o seu significado.

Algumas pessoas podem amar-te mais em um ano do que outras poderiam te amar em cinquenta anos. Algumas pessoas podem ensinar-te mais em um único dia do que outras durante toda a sua vida.

Algumas pessoas entram nas nossas vidas apenas por um determinado período de tempo, mas causam um impacto que mais ninguém pode igualar ou substituir.

E quem somos nós para chamar essas pessoas de algo que não seja “amores das nossas vidas”?

Quem somos nós para minimizar a sua importância, para reescrever as suas memórias, para alterar as formas em que nos mudaram para melhor, simplesmente porque os nossos caminhos divergiram? Quem somos nós para decidir que precisamos desesperadamente substituí-los – encontrar um amor maior, melhor, mais forte, mais apaixonado que pode durar por toda a vida?

Talvez nós devêssemos simplesmente ser gratos por termos encontrado essas pessoas.

Por termos chegado a amá-las. Por termos aprendido com elas. Pelas nossas vidas se terem expandido e florescido como resultado de tê-las conhecido.

Encontrar e deixar o amor da tua vida não tem que ser a tragédia da tua vida.

Deixá-lo pode ser a tua maior bênção.

Afinal, algumas pessoas nunca chegam sequer a encontrá-lo.

Comments

Contos Para Ler

A maior riqueza de duas pessoas é o que fica entre quatro paredes

A olhos nus, despimos nossos corpos entre quatro paredes de discrição e resguardo. Aqui, aquecidos em nossos fogos, dividimos nossas riquezas escondidas, entregamos nossos mistérios um ao outro.

Published

on

Pode vir. Faz as malas, vem. Chega contente, disposta, à vontade. A casa é sua. Entra, senta, fica. Tira os sapatos se quiser, pula na cama, descansa teus pés cansados nestas costas. Repousa tua alma na companhia da minha, encosta teu corpo neste canto do mundo.

Chega aqui. Pode chegar. Enquanto essa multidão de casais felizes passeia lá fora, lotando sessões de cinema, corredores de shopping, festas da uva, lojas de material para construção, parques cheios de luz, nós aqui nos deixamos estar sem mais, desconfiando o mundo pelos desenhos do sol e da lua no teto do quarto entre os vãos da janela, esquecidos do tempo, do vento e da chuva. Entregues a nossas questões pessoais, nossas mecânicas domésticas, nossos movimentos íntimos universais. Distantes da rua lá embaixo, da festa das vozes em grupo, das luzes acesas.

Benditos sejam os amantes afeitos a exibir seu amor ao mundo, empurrar juntos o carrinho do supermercado, beijar em público, esperar a tardinha em sorveterias de bairro. Que sejam felizes como felizes estamos nós, que escolhemos o caminho inverso. Nem piores, nem melhores. Apenas e tão somente nós. O que é nosso, amor, por escolha nossa, há de ficar aqui. Vem, goza comigo o direito sagrado de fazer, sentir e manter nossas coisas em um paraíso secreto, restrito. Que estas quatro paredes nos guardem, protejam e preservem dos males do mundo, dos olhos alheios, das coisas da vida.

Que sejamos assim, você e eu, enquanto der. Enquanto for. Ninguém mais carece saber de nossos risos e angústias, nossas alegrias desaforadas, nossas horas lentas e silêncios longos. A quem mais interessam nossos cheiros e nossos gostos? Tem coisa que não tem jeito: ainda que se queira, não é possível dividir. Não se deve. Tem coisa que é só nossa, nascida para a intimidade. Se sair ao sol, à chuva, ao olhar dos outros, derrete, definha, desaparece. Tem coisa que nasce, cresce e fica para sempre dentro da gente, no infinito espaço íntimo de um mundo para dois.

A olhos nus, despimos nossos corpos entre quatro paredes de discrição e resguardo. Aqui, aquecidos em nossos fogos, dividimos nossas riquezas escondidas, entregamos nossos mistérios um ao outro.

E assim, sem que ninguém nos ouça e nem nos veja, colhemos juntos toda a ternura do mundo. Nossa disposição generosa para o amor merece o conforto silencioso das horas mudas. Deixa cá entre nós. Conta pra ninguém, não. O que nos é mais caro ninguém há de saber.

Nosso tesouro mais valioso, nosso segredo irrevelável, nosso tempo e espaço invioláveis. Vem. Entra, fica. Em nosso canto suspenso, repletos de alegria e pudor, guardaremos instantes de graça infinita aqui dentro. Por nada, não. Nada senão a sorte de preservar-nos em nossa riqueza de bichos simples, discretos, inteiros, amantes.

Continue Reading

Contos Para Ler

A vida seria mais simples se as pessoas não vomitassem felicidade falsa

Se nós entendêssemos que todo o mundo está no mesmo barco…

Published

on

Sim, a vida seria bem mais simples e espontânea se as pessoas não vomitassem felicidade falsa nem tentassem o tempo todo provar um equilíbrio que elas não têm. Ninguém acorda super bem todos os dias. Ninguém se sente disposto para uma cerveja depois do expediente todos os dias.

Às vezes nós ficamos mal mesmo, lembramo-nos de um monte de coisas parvas e queremos chorar na cama que é um lugar quente. Às vezes as coisas não parecem fazer muito sentido e nós queremos ficar fechadinhos dentro de nós mesmos.

Nós não somos obrigados a ficar felizes e comemorar porque é Natal, réveillon ou dia dos namorados. Nós não precisamos necessariamente de sorrir e querer curtir porque faz sol, porque nós estamos na praia ou porque disseram que a vida é simples e é o ser humano que complica.

Nós não precisamos rejeitar a tristeza como se fosse uma doença pestilenta. Ela faz parte da vida, tal como a alegria. Só precisamos tomar cuidado para não transformá-la em um hábito ou nos esconder atrás dela por medo de ser feliz ou ainda dar importância demais a problemas e principalmente a pessoas pequenas. Este é um exercício e tanto que pode levar anos ou a vida inteira. Mas parece-me que vale a pena.

A vida seria mais simples se as pessoas fossem mais elas mesmas. Se elas olhassem nos olhos dos outros e falassem sobre os seus problemas, os seus medos. A vida seria mais simples se a gente não precisasse provar que é bem-sucedido o tempo todo. Seria mais simples se nós pudéssemos gostar das pessoas independentemente da vida que elas levam. Se nós pudéssemos dizer sem constrangimento algum que nos estamos a sentir um monte de merda e que a vida às vezes pode ser bem complicada, sim. Talvez, se admitíssemos mais o caos que é viver, não sofreríamos tanto. Talvez, se desfocássemos mais daquilo que dizem que é importante, mas que não faz sentido para nós, fôssemos mais bem-sucedidos num sentido mais amplo.

Talvez se mostrássemos mais os nossos rostos desmaquilhados e as nossas almas nuas, se não nos defendêssemos tanto uns dos outros, se não nos importássemos tanto em mostrar que somos melhores do que os outros, pudéssemos ser mais unidos, mais solidários, mais amados, mais amantes.

Se nós entendêssemos que todo o mundo está no mesmo barco…

Rogo pelo dia em que as mulheres casadas se assumam sozinhas e mal amadas, se for o caso. Rogo pelo dia em que as mulheres solteiras confessem que uma companhia faz falta, sim, e que fazer tudo sozinha pode ser muito triste.

Rogo pelo dia em que os homens tanto casados como solteiros afirmem com todas as letras que morrem de medo das mulheres e que nunca deixam de ser meninões. Rogo pelo dia em que as mães gritem desesperadas o quanto estão cansadas e as que não têm filhos lamentem esta lacuna nas suas vidas. Que todos se assumam meio perdidos, meio sozinhos nesta vida louca.

Rogo para que as pessoas assumam como o passado é doloroso e o futuro incerto. E depois de tantas confissões acaloradas, que elas possam respirar fundo, sorrir umas para as outra e seguir em frente cheias de coragem.

Que depois de tudo, a gente pudesse cantar juntos “I will survive” e nos sentir intimamente ligados ao outro por meio da nossa vulnerabilidade, por meio da nossa capacidade irrestrita e desgovernada de dar e receber amor.

(Texto de Sílvia Marques)

Continue Reading

Contos Para Ler

Quero que me queiras todos os dias!

Talvez entenda tudo isto quando deixar de me importar com as respostas… Quando nem sequer tiver dúvidas. Quando for dia sim, todos os dias.

Published

on

Não te quero na minha vida dia sim, dia não. Ou é sim, e é para sempre ou é não, e é nunca mais. Não quero cá meios termos. Gosto de ter as coisas bem definidas, nem que seja uma definição vaga, até porque o amor não tem definição. Mas que seja amor. Ou então que não seja. Só não quero um “mais ou menos” ou um “às vezes”.

Não quero que hoje me prometas mundos e fundos e amanhã não tenha sequer uma mensagem tua. Prefiro que seja simples, mas todos os dias. E se não for todos os dias, sempre que possas. Mas não quando estás a fazer algo que não gostas! Quero saber que te lembras de mim quando estás ocupado num dia à tarde e não quando não consegues dormir às 2h da manhã. Quero saber que te transmito a paz que necessitas para mais um dia. E para isso não é preciso muito. Mas, por favor, não me queiras só dia sim, dia não. Não me queiras só quando te apetece. Nem me queiras porque sim.

Só te peço que não me tires o tapete dos pés. Que não me tires o chão a qualquer momento só porque já não sirvo para ti. Tira-me antes a roupa e beija-me. Mas beija-me todos os dias!

Se não for para isso nem sequer me procures. Não gastes o meu tempo. Não me faças esperar por ti, por nós. Não me faças chorar enquanto tu te ris. Porque se eu chorar, não vai ser dia sim, dia não. Não vai ser quando me apetece nem quando não tenho nada para fazer. Vai ser intenso, doloroso, frio. Vai ser quando menos esperar, quando não aguentar mais. Vai ser quando me lembrar de ti ou quando isso não acontecer. Vai ser de dia e de noite. Vai ser no metro, na cama ou no ginásio. Vai ser sozinha, rodeada de amigos ou com a minha mãe. Mas vai ser, tenho a certeza.

E sabes porquê? Não, pois não? Eu, sinceramente, também não. Não sei porque é que continuo a cair nas garras do primeiro cretino que me aparece à frente. Porque é que continuo a cair em “mais ou menos” e “às vezes”. Porque é que continuo a ser uma romântica incurável. Porque é que continuo a acreditar em desculpas e histórias de última hora. Porquê?

Talvez entenda tudo isto quando deixar de me importar com as respostas… Quando nem sequer tiver dúvidas. Quando for dia sim, todos os dias.

(Source: Palavras com História)

Continue Reading

Publicidade

Publicidade

Mais Populares