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Nós não escolhemos quem amamos, mas podemos escolher quem vamos deixar de amar

Já fiz isso
Já fiz isso

A verdade é que o amor vem de não sei onde, sem porquê, veloz e sorrateiro e se instala, muitas vezes sem nos darmos conta. Parece que não controlamos mais as razões do coração, nem as influências de certas pessoas sobre nós.

Mesmo assim, após experenciarmos a forma como o outro entra nas nossas vidas, bem como o que ganhamos ou perdemos a partir desse momento, devemos estar prontos para agir acertadamente em relação à manutenção ou não desse alguém na nossa vida.

De início, quando a paixão parece minar qualquer capacidade de discernimento frente ao que o outro traz junto com ele, acabamos por supervalorizar as suas qualidades, sobrepondo-as às suas falhas, àquilo que nos incomoda.

E assim vamos tentando, de novo e mais um pouco, pois temos esperança de que receberemos em troca o tanto que nos doamos, torcendo para que dê certo.

Difícil é perceber quando já tentamos demais, quando nada mais parece surtir resultado, quando os erros se repetem além da conta.

Difícil é encarar de frente tudo o que se fez ou se deixou de fazer, tudo o que se disse ou se calou, tudo o que foi exposto, aniquilado, roubado, usado, todas as mentiras, os fingimentos, os silêncios ensurdecedores. Porque dói a constatação de que tudo o que sonhamos e construímos não tem mais futuro.

Ninguém quer dar errado na vida, seja em que área for. Queremos ser alguém que deu certo, que venceu e conquistou o que queria.

Muitos de nós vemos a falência amorosa como a pior de todas as decepções que podemos carregar, uma vez que a separação leva junto com quem se foi muita da nossa força e da nossa autoestima. O que resta, de início, é tristeza, desalento e uma sensação amarga de derrota.

Estaremos sempre sujeitos aos términos indesejáveis dos relacionamentos na nossa vida, visto que o para sempre pode, sim, acabar um dia ou outro. É preciso, por isso, que estejamos dispostos a enfrentar tudo o que não deu certo, de modo a nos libertarmos daquilo que se tornou peso inútil.

E, no final das contas, ninguém há-de negar que, por mais que doa desistirmos de qualquer pessoa, de qualquer situação, de qualquer vínculo afetivo, em favor de quem somos e da nossa felicidade, será sempre a melhor decisão a ser tomada. Porque desistirmos de nós mesmos seria condenarmo-nos à morte em vida, e viver será sempre a nossa maior vitória. Sempre.

(Texto de Marcel Camargo)

Criado por Miguel Camacho

Profile photo of Miguel Camacho

Eu perdi muito peso e ganhei um pouco de conhecimento sobre a obesidade e cuidados de saúde. Eu gosto de ler e escrever sobre essas coisas. Embora já não esteja mais em Portugal, os meus sonhos são tão ambiciosos como sempre (e muitas vezes incluem saltar para a água com o meu telemóvel).

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