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Não esperes de mim aquilo que eu não recebo de ti

Eu sentia um orgulho imenso por estar ao teu lado. Era um prazer te apresentar para todos os meus amigos e familiares, assim como poder beijar a tua boca na hora que eu bem queria. Que na realidade, era o tempo todo.

Uma química gostosa, um frio na barriga misturado com uma paixão arrebatadora. Eu confiava em ti, acreditava nas tuas palavras e em todos os planos que fizemos desde que nos conhecemos. Eu te entreguei o melhor de mim e tu despias os meus receios, medos ou traumas.

Eu esqueci do meu mundo e mergulhei de cabeça no teu.

Foi como pisar com o pé direito, encontrar um trevo de quatro folhas, olhar no relógio e me deparar com números iguais. Tu chegaste como um bilhete premiado de loteria, uma alegria contagiante e inovadora, até ao momento de validá-lo e eu descobrir que ele era falso.

O meu mundo caiu, eu me joguei no chão e as lágrimas escorreram incontrolavelmente.

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Era como ver os meus sonhos escorrerem pela sarjeta, literalmente, e não poder fazer nada. Lixo, foi assim que eu me senti.

Me senti algo sem valor, descartável, fedido e imundo. Eu tentei te reciclar, mas a nossa relação nunca foi uma via de mão dupla. Sabemos que um lado sempre ama mais, mas empurrar com a barriga é coisa de gente covarde. E não, eu não sou uma pessoa fraca como tu me julgas.

Eu tentei, de coração aberto, te fazer feliz. Me preocupei com os detalhes, não medi esforços e fiz do possível ao impossível.

Talvez tu não deves fazer ideia do quanto é difícil nos doarmos por alguém que não sente o mesmo. Ou, de repente, por alguém que perdeu o interesse, que errou inúmeras vezes. Eu fiz a minha parte.

Te escutei, tentei demonstrar compreensão, te desculpei, passei por cima de todo o meu orgulho e vaidade. E o que tu fizeste com todos os meus sentimentos? Pisaste em cima. Igual ao que tu fazes quando vais entrar na tua casa: tu esfregas os pés no tapete, com intenção de deixar nele todas as impurezas e sujeiras. Comigo tu fizeste pior.

Tu não tiveste o cuidado de pedir licença ao entrar, tiraste os sapatos para me fazer acreditar que em ti habitava algum tipo de honestidade. Tu parecias uma pessoa de carácter. Eu deixei uma pessoa desconhecida fazer morada em mim, no meu interior.

Eu não te expulsei, muito pelo contrário, eu te dei toda a hospedagem. Tu sempre falavas demais e fazias de menos. Agora chegou a minha vez…

Tu me perdeste. Perdeste alguém que muito te amou, que muito fez sem esperar nada em troca. Eu cansei das tuas mentiras, omissões, desculpas esfarrapadas. A minha paciência se esgotou, a minha enxaqueca piorou, a minha gastrite atacou.

Tu só me fazes mal, repara a que ponto chegamos. Tu destruíste a nossa vida, os nossos objectivos, toda a admiração ou respeito que eu tinha por ti. Agora eu sinto vergonha, não por ter me dedicado tanto por alguém que nunca mereceu, mas principalmente, por olhar para ti e enxergar o que tu realmente és. Algo totalmente diferente daquilo que tu dizias ser, daquilo que tu tanto me falavas.

Eu finalmente aprendi que estar sem ninguém é melhor do que estar com alguém que não sabe o que quer. Tu sempre optaste pelo prático, pelo mais fácil, evitando qualquer esforço de lutar por nós dois. Sendo assim, estou fazendo agora o mesmo que tu.

E, caso te arrependas e queiras voltar, fica sabendo que eu tranquei as portas e troquei as fechaduras.

Depois de muito quebrar a cara, eu finalmente aprendi a aceitar apenas quem veio para ficar. E, convenhamos, tu estás longe de ser a última bolacha do pacote.

(Texto de Jéssica Pellegrini)

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