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Foi amor e foi lindo – mas não significa que tenha que ser para sempre

Eu sei que acabei por abandonar o barco. Eu sei. Tens todo o direito de me odiares por isso, mas nunca terás o direito de me julgar.

Eu acabei por ir embora não por desistência, não por não amar, não por nada. Mas eu tinha uma urgência de viver em paz e, sinceramente, naquela embarcação ali, não dava mais.

Apesar de teres sido o meu furacão, o erro, a fatalidade, o divisor de águas, eu resolvi guardar-te num cantinho do meu baú e deixar-te por lá. Às vezes até te visito em pensamento, lembro de bons momentos, mas admito que os maus ainda me assombram.

Eu sei que acabei por partir e deixar-te com aquela cara de perplexidade, mas tenta entender as minhas fraquezas, tão evidentes e tu tão cego.

Insistir no erro não é mais o meu forte. Virei uma espécie de andorinha, à procura de paz.

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Nós prometemos que iamos ficar juntos até o momento que um dos dois achasse que não valeria mais a pena, lembras-te? Eu não posso culpar-me pelo meu relógio ter sido um pouco adiantado. Isso não me exime de culpa nenhuma, não me tira a dor, mas não me amarra a um passado em que a tal alegria já era rara.

Eu sei que eu fui fria e nem sequer olhei pra trás. Eu sei que recusei flores, tentativas, e me mantive firme diante das suas promessas, juras e pedidos. O que não te contaram era o quanto me partia o coração a cada insistência, a cada não. Mas a vida é feita de escolhas e já aprendi que não adianta insistir no mesmo erro.

A renúncia foi uma necessidade básica de sobrevivência, não só minha, mas nossa – fiz tudo não por mim, mas por nós. Acho que nunca fui tão honesta contigo: foi amor e foi lindo, mas não significa que tenha que ser para sempre.

Minha concepção de eternidade continua a ser aquela da Alice, que eterno é tudo que dura um segundo, porém se petrifica na alma, ou algo assim, perdoa-me pois a minha memória falha.

Eu sei que coloquei a mochila nas costas e fui, mas na minha mansidão, ainda tem lugar para recordar. Eu ainda visito algumas memórias antes de dormir e isso basta-me para saber que valeu a pena, porém a vida agora é outra. Eu tornei-me grande demais para caber na realidade de alguém e tenho vivido bem sozinha.

Tu expandiste o seu tamanho e espero que encontres alguém que possa abranger as tuas necessidades.

Antes a lembrança bonita do que a morte do amor, antes a cicatriz de estimação do que uma inflamação que não sara. Antes partir em paz, do que permanecer em guerra.

(Source: Osegredo)

Criado por Marta Rocha

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Eu estou a trabalhar em grandes ideias e num pequeno jardim. Eu acredito que há uma abundância enorme no planeta, muito dinheiro e muito amor para todos. As pessoas são a minha paixão. Quero perceber porque não fazemos as coisas que queremos fazer.

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