pai e filho

Não existe razão nenhuma para ter medo!

Família Vem Primeiro

Coisas que vou ensinar ao meu primeiro filho ou, 14 razões porque eu não presto

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Não existe razão nenhuma para ter medo!

Quando eu soube estava a segurar um pack de 6 cervejas.

“Estou grávida”, disse ela. Palavras que eu sabia que viriam um dia, mas não tão depressa. Sempre me imaginei a ouvi-las num baloiço de madeira a balançar suavemente com o vento. Ou algo assim parecido. E que houvesse música. Muita música.

Nunca imaginei que ia ouvir essas palavras estando eu no hall de entrada de um pequeno, escuro apartamento, cansado de um longo dia de trabalho. A minha mulher, Sara, olhos inchados e maquilhagem estragada pelas lágrimas de felicidade, a segurar não um, mas dois testes de paternidade como prova.

O meu primeiro pensamento foi que iria perder os nossos jogos de futebol.

O meu segundo pensamento foi que devia abrir uma cerveja.

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O meu terceiro pensamento foi, “eu não acredito que esses foram os meus dois primeiros pensamentos”.

Basta apenas um momento como esse para te aperceberes do quão pouco preparado tu estás para seres responsável por outro ser vivo. O quão assustador isso pode ser. E não estou a falar de acordar a meio da noite para embalar um bebé a chorar. Não estou a falar de mudar fraldas ou dizer adeus à vida social.

Estou a falar de quando o teu filho aprender a falar e aquilo que lhe disseres realmente importe. Quando tu tens que começar mesmo a pensar como é que o queres criar e educar. O que lhe vais dizer quando sofrer de bullying na escola.

Tudo isso te fará questionar sobre os teus valores. Ou pensar se tens valores para questionar.

E essa linha de pensamento levou-me a acreditar que sou um terrível pai. Porque quando penso sobre as coisas que quero ensinar ao nosso primeiro filho, apercebo-me que não faço nenhuma delas.

Mas vou dizê-las na mesma:
 

Vou dizer que nem todo o mundo tem que gostar de ti.

Diz o que tens a dizer quando souberes que tens razão. Diz as verdades aos teus amigos mesmo quando souberes que eles não querem ouvir. Não passes a vida a abanar a cabeça dizendo que sim nem dês risos de pena a pessoas que não sabem dizer piadas.


Vou dizer para trabalhares duro na escola.

Não só para que possas ganhar dinheiro e não só para mostrares um diploma, mas porque se não o fizeres, um dia vais olhar para trás e desejar que tivesses investido em ti próprio.


Vou dizer para arrumares o teu quarto.

Vês esta pilha de roupa ao lado da minha cama? Isso faz-me sentir horrível cada vez que olho para ela. Irás ficar surpreendido do quão orgulhoso irás ficar quando vires o chão do teu quarto.


Vou dizer para terminares sempre o que começaste.

Existe uma razão pela qual eu só te posso ensinar a ser “suficientemente bom”, e não óptimo, a tocar guitarra, em tirar fotografias, ou a fazer truques com cartas, ou qualquer coisa que comecei e abandonei. Se tens um talento para alguma coisa, nunca o desperdices.


Vou dizer para te sentires bem na tua própria pele.

Fases são muito boas quando és um adolescente, mas há uma linha ténue entre explorar as coisas e ficar preso em modismos. Nunca sintas que tens que te adaptar a um grupo ou a uma categoria para seres bem aceite.


Vou dizer para tomares conta do teu corpo.

Porque só tens um. Lava os dentes todos os dias. E não bebas tanto sumo ou Red Bull. Não haverá dentista que te salve das cáries que vais ter.


Vou dizer para experimentares coisas novas.

Eu sei que as pessoas que estudaram em universidades no estrangeiro são antipáticas, mas não me importa; devias fazê-lo. Porque quando eles se pavonearem sobre aquele Verão em Madrid, vais revirar os olhos mas na verdade estarás apenas com inveja por teres passado o teu Verão a ver TV.


Vou dizer para não ficares tão desconfortável perto de sem-abrigos.

Eles não se aproximam de ti para te roubar. Tens que ser melhor que isso. Trata-os com respeito. Compra-lhes uma sanduíche sempre que puderes. E apoia causas sociais. Terás sempre alguns trocos para gastar.


Vou dizer para teres atenção às notícias. E à política.

Não passes todo o teu tempo nas redes sociais ou a ver TV ou a ver futebol. Dedica a tua atenção a coisas que realmente interessam. Mantém-te informado e educado. Nunca sejas forçado a estar silenciosamente calado numa conversa sobre eventos da actualidade.


Vou dizer para seres implacável.

Não sigas a corrente. Descobre alguma coisa que gostes e usa todos os teus recursos para seres excepcional. Muitas pessoas sonham alto, mas têm medo de se sentar e lutar por isso. Não sejas mais uma dessas pessoas.


Vou dizer para não beberes e conduzires.

A sério. Não existe nada que não possa esperar. Falo a sério.


Vou dizer para pores a tua família em primeiro lugar.

Sempre. Quando eles precisarem de ti, está lá para eles. Não faças perguntas. Não deixes que o cansaço do trabalho seja uma desculpa. A tua família é tudo o que tens.


Vou dizer para não desejares ser mais ninguém, apenas tu próprio.

Aceita os teus defeitos. Todos os temos. Não mudes para que as pessoas gostem de ti. Sê tu próprio e as pessoas certas vão adorar o teu verdadeiro eu.


E vou dizer que se falhares em alguma coisa nesta lista, eu vou amar-te na mesma.

Vou AMAR-TE sempre.


 

As pessoas continuam a perguntar-me se eu tenho medo. E eu acho que — mesmo apercebendo-me de tudo o que disse acima — a resposta é não.

Eu sei que vou ter momentos em que não vou saber o que fazer com este miúdo. Quando eu alcançar a minha mala de moralismos e valores e vir que ela está vazia. E em tempos como esses, eu vou pedir ajuda à minha mulher. Vou sempre lembrar-me que, estando no nosso escuro e pequeno apartamento, numa das noites mais importantes da nossa vida, ela colocou os testes de paternidade em cima da mesa, sorriu e disse:

“Claro que ainda vamos ver os nossos jogos de futebol.”

Uma pequena lembrança do porquê de me ter apaixonado por ela. Que o que nós criámos juntos não aconteceu apesar de nossas falhas.

Aconteceu por causa delas.

E sabendo isso, não existe razão nenhuma para ter medo.

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