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“Dos males o menor, a morte é certa, quer tenhamos cancro ou outra doença qualquer, a morte é certa quer aconteça na velhice ou ainda na adolescência. É a única certeza que carregamos connosco desde o momento em que nascemos. E eu com cancro nunca ponderei a morte, nunca pensei na morte, nunca fui assustada pela ideia de que iria morrer mais cedo ou mais tarde e a minha melhor amiga, que sempre esteve bem, matou-se.”

Quando descobri que tinha cancro da mama, inicialmente fiquei assustada, pensei no meu sonho de ser mãe, pensei no meu namorado, pensei na minha família, pensei que tudo o que eu havia planeado poderia acabar ali, inclusive a minha carreira e o meu sonho de um dia me tornar uma modelo conceituada e reconhecida a nível internacional, porque o meu país já o tinha conquistado, mas nunca, em momento algum dessa fase tão perturbadora ponderei a morte.

A morte nunca me assustou. Assustava-me tudo o que envolvesse os que amo, assustava-me a possibilidade de precisar abdicar dos meus sonhos e do meu trabalho, assustava-me o futuro. Como eu poderia enfrentar tudo aquilo?

Dos males o menor, a morte é certa, quer tenhamos cancro ou outra doença qualquer, a morte é certa quer aconteça na velhice ou ainda na adolescência. É a única certeza que carregamos connosco desde o momento em que nascemos. Nascemos para morrer. Temos sonhos, objetivos, planos para o futuro, estamos carregados de expetativas e tudo porque? Porque sabemos que um dia iremos morrer, não sabemos quando, mas é a única certeza que temos.

Então definitivamente a morte não me assustava nem um pouco, eu sabia que um dia esse momento chegaria e a morte não é aquele familiar distante que envia mensagem a avisar sempre que está prestes a chegar, a morte não avisa então porque haveria eu de me preocupar com ela.

Quando ela chegasse, estaria na minha hora. Mas e os meus sonhos, a minha carreira, a minha família, o meu namorado, os bebés que desejávamos ter? Isso sim assustava-me!

Ter de parar ali, ter de enfrentar o cancro, ter de terminar a minha carreira como modelo, ter de encontrar outro trabalho no qual me sentisse encaixada, ter de planear tudo de novo.

Logo eu, que sempre fui tão organizada. Precisaria reorganizar toda a minha vida em função de um problema de saúde.

Quando contei que estava doente senti todos os olhos postos em mim carregados de pena. Isso sim é muito mais perturbador do que a ideia de morrer, quer acreditem, ou não.

Preocupava-me com o meu cabelo, os meus longos cabelos pretos, e se ele caísse? Eu amava o meu cabelo, mas dos males o menor, nada que uma peruca não pudesse resolver.

Dos males, realmente o menor. Pior do que descobrir que tinha cancro, foi receber uma chamada às oito da manha, da mãe da minha melhor amiga. Maldita hora em que acordei para descobrir que ela tinha morrido.

A Patrícia, logo a Patrícia? Como era possível. Ela era saudável, não estava doente, tinha a vida organizada, tinha sonhos, planos, objetivos, tal como eu. Ela estava feliz e tinha-se suicidado?

Espera aí, ela não morreu de cancro, nem de um ataque fulminante, nem de qualquer outra coisa. Ela acabou com a própria vida. Como? Patrícia? Como? Tu estavas tão bem, todos os dias conversávamos, falavas de como o trabalho corria bem, falavas do teu namorado com um brilho nos olhos que causava inveja, falavas dos teus sonhos e mataste?

Qual o espanto de todos ao descobrirem que ela escondia os registos médicos todos, ela suicidou-se e sabem porque? Tinha depressão.

Costumávamos comentar entre nós, nas conversas entre o grupo de amigos, que pessoas depressivas não eram nada mais do que pessoas preguiçosas, que viviam naquele estado apenas para chamarem a atenção.

Bem, a Patrícia foi pró, nunca chamou a atenção de nenhum de nós, talvez porque os nossos comentários fossem desagradáveis demais, como poderia ela dizer que estava depressiva se todos os amigos criticavam as pessoas depressivas?

“Fulana tal diz que tem depressão, mais uma a querer chamar a atenção”, a Patrícia nunca chamou a atenção, tal como já disse, talvez se ela tivesse chamado mais a nossa atenção, talvez se ela tivesse contado que habitava dentro dela um monstro adormecido, talvez se ela tivesse desabafado as suas dores, só talvez… Nada disto teria acontecido e ela ainda estivesse entre nós e a mãe dela não precisasse encontrá-la dentro de uma banheira a jorrar sangue, com os pulsos cortados, o pescoço cortado…

Mas talvez se ela tivesse dito que estava depressiva, talvez comentássemos em segredo “olha esta agora quer chamar a atenção também”. Então ela guardou para ela, aparentemente saudável, trabalho estável, namoro feliz, família pacata, e uma dor insuportável dentro dela que a ameaçava todos os dias.

E eu com cancro nunca ponderei a morte, nunca pensei na morte, nunca fui assustada pela ideia de que iria morrer mais cedo ou mais tarde e a minha melhor amiga, que sempre esteve bem, matou-se.

O nosso grupo nunca mais foi o mesmo, fomos-nos separando desde então, cada um para seu canto, o tema Patrícia era quase proibido. A pessoa mais alegre do nosso grupo sofria do mal que todos nós julgávamos ser preguiça, a pessoa que fazia de tudo para manter todos com um sorriso desabava sozinha todas as madrugadas.

Depois da morte dela, todos mudamos e com razão não é? Se tivéssemos pensado de outra forma, ajudado, apoiado, cooperado na sua verdadeira felicidade, ela ainda estaria entre nós, talvez tivesse superado a depressão, assim como eu venci o cancro e não precisei de abdicar dos meus sonhos, da minha carreira.

Vocês todos pensam que o cancro é a pior das doenças, pois eu que poderia ter morrido com um cancro da mama, perdi a minha melhor amiga que se suicidou com depressão.

As piores dores não são as do corpo, são as da alma, são as que nos são invisíveis aos olhos.

As piores dores são as que nós mais julgamos. A depressão não é uma piada, é uma doença e se tu fazes piada sobre pessoas depressivas, tal como eu fiz um dia, repensa bem as tuas palavras, não imaginas como hoje é difícil acordar e saber que a pessoa que sempre me apoiou, acabou com a própria vida porque eu e todos os outros, não estávamos lá, não demos importância, não levamos a sério, aquele que é considerado o mal do século 21.

(RELATO REAL, SE CONHECES ALGUÉM COM DEPRESSÃO, NÃO JULGUES, NÃO CRITIQUES, NÃO MENOSPREZES, DÁ A MÃO E AJUDA, NÃO ESPERES ATÉ SER TARDE DEMAIS!)

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Comunidade Coffeebreak

Cansei de dar importância às pessoas e coisas que não são importantes

Eu aprendi a viver um dia de cada vez, às vezes com muita sensatez, às vezes fazendo tudo errado, porque eu tenho muitos defeitos para ser perfeita, mas sou muito abençoada para ser ingrata.

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Cansei de tentar entender quem está ao meu lado, quem está contra mim ou quem está em cima do muro por medo de se posicionar.

Decidi livrar-me de tudo e todos os que tiravam a minha paz.

Tornei-me indiferente a opiniões alheias, e pouco me importo com críticas destrutivas, principalmente vindas de pessoas hipócritas, mal intencionadas, que vivem de mentiras.

Não preciso provar nada a ninguém, não preciso ser aceite ou agradar a todos. A minha consciência está tranquila, porque sou exatamente o que quero ser.

Lealdade para mim não é simplesmente uma palavra, é um estilo de vida, uma regra.

A minha vida mudou quando eu simplesmente deixei de me importar com tudo que não é realmente importante. Eu não mudei por causa de um amor, ou uma desilusão, eu não mudei para agradar a ninguém nem por influência de ninguém.

Eu mudei porque percebi que a vida era curta demais para condicionar a minha felicidade a pessoas e acontecimentos externos. Eu finalmente entendi que a única pessoa capaz de transformar solidão em companhia, tristeza em alegria, dor em amor, era, e sempre foi, eu mesma.

Eu aprendi a viver um dia de cada vez, às vezes com muita sensatez, às vezes fazendo tudo errado, porque eu tenho muitos defeitos para ser perfeita, mas sou muito abençoada para ser ingrata.

E foi errando que eu aprendi lições maravilhosas sobre a vida, sobre as pessoas, sobre o amor, sobre a dor, e o mais importante, sobre mim, sobre quem eu sou de verdade.

Eu não tenho muito, mas tenho paz. Eu não sou melhor do que ninguém, mas sou bem melhor do que ontem.

(Texto de Wandy Luz)

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Comunidade Coffeebreak

Não me digas que não tens tempo, diz-me antes que tens outras prioridades

Se alguém te quer ter na sua vida, essa mesma pessoa encontrará um lugar para ti sem ser necessário que tu lutes por isso.

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Se alguém quiser, arrumará tempo. Se não tem tempo é porque não quer ou porque tem outras prioridades. Não permitas que mintam para ti e também não te enganes a ti mesmo. Na verdade, qualquer pessoa sempre terá um espaço reservado para uma pessoa que tem vontade de ver, com quem tem vontade de falar ou com quem se preocupa: é assim mesmo que funciona o carinho e o amor.

Conforme vamos amadurecendo, é normal que a vida vá tornando a tarefa de conseguir espaços para os outros ou mesmo para aquelas atividades que tanto gostamos um pouco mais complicada. Principalmente porque somos tomados por outras atividades que nos roubam muito tempo livre que dispomos. Contudo, não é verdade que ele não exista: dizem que “querer é poder”, e no caso dos relacionamentos pessoais, esta é uma verdade muito importante.

A atenção nunca deve ser mendigada. A vida é um acúmulo de prioridades e de segundas opções. Quando classificamos mentalmente as nossas relações em prioridades ou opções, o que fazemos na verdade é nos orientarmos em função do valor que damos a certas pessoas. Portanto, mantém-te atento o quanto tu puderes e, se tu perceberes que não estás a ser valorizado como mereces, não peças: mendigar atenção é uma coisa que certamente ninguém merece ter que fazer.

Se tu estás nesta situação, onde sentes que dás 100% de ti por algo que deve ser recíproco e não é, talvez seja o momento de enxergar que por trás da falta de tempo existem desculpas inventadas e pouco interesse. Costuma ser doloroso e decepcionante, mas é mais saudável a longo prazo solucionar esse desequilíbrio do que continuar mantendo-o: no fim das contas, a união de duas pessoas é algo no qual dar é gratificante mas receber também é necessário.

Para além disso, se alguém que tu incluis nas tuas prioridades sem sequer duvidares, começou a deixar-te de lado, pode ser que algo tenha acontecido mas também pode ser falta de interesse daquela pessoa: lembra-te que gostar de alguém não tem calendário.

Aprendi que quem não procura não sente saudade, e quem não sente saudade não gosta de ti. Aprendi que a vida decide quem entra na tua vida, mas tu decides quem fica. Aprendi que a verdade dói uma vez só e a mentira dói para sempre. Por isso valoriza aqueles que te valorizam, e não trates como prioridade quem te trata como uma opção.

Se alguém te quer ter na sua vida, essa mesma pessoa encontrará um lugar para ti sem ser necessário que tu lutes por isso.

Tu também tens liberdade de escolha. Escolhe bem quem tu queres na tua vida e, quando o fizeres, é provável que o melhor seja pensares também em quem te escolheu para fazeres parte da sua própria vida: valoriza quem demonstra que quer estar ao teu lado.

(Texto de Cristina Trilce)

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Ser chique é tratar bem os outros

O que nos define é a forma como tratamos os outros, porque isso diz tudo de nós. Não é o que temos, mas o que sai de nós que revela quem somos.

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Hoje em dia as marcas traduzem-se em status social, e há ícones que revelam quem são as pessoas, mesmo que nunca se tenha falado com elas: os óculos, as roupas, os sapatos, a bolsa, o relógio, o telefone… Tratam-se de categorias de objetos que funcionam como uma apresentação e permitem posicionar a pessoa na escala social. É a clara definição do “quem tem o quê” porque isso revela “quem tem quanto”.

É difícil fugir desse padrão de comportamento – por muito que se deseje ou tente – e, em certos meios sociais, é quase impossível. Tornou-se um paradigma que permite reconhecer os outros pelo seu poder aquisitivo, pelo seu status social, bem ao modo materialista do mundo moderno.

Mas, na verdade, trata-se de uma falsa questão, porque o dinheiro, as marcas, as roupas e os objetos, são insuficientes para revelar quem são as pessoas. O que as separa – realmente – é a discrição, a educação, a generosidade e a distinção. E estes traços dividem, ainda que grosseiramente, as pessoas em dois grupos: os deselegantes, que se esforçam por aparecer a qualquer preço, e os elegantes, que primam pela discrição.

Os primeiros, os deselegantes, expõem a sua privacidade, invadem a esfera pública com as suas emoções exageradas e sentem necessidade constante de mostrar as etiquetas das suas roupas. Gostam de contar o que têm e falar do que compraram ou vão comprar. Citam muitas marcas e, com frequência, comentam-nas com a pronúncia errada. Givenchy é difícil para eles. Moschino também. E muitos nem sequer sabem o que é Fendi.

Mas o pior de tudo é o hábito de maltratar os outros – o porteiro, a manicure, o motorista, o empregado da loja, o garçom, ou qualquer pessoa que os sirva ou trabalhe para eles. São mal educados, grosseiros: não dizem obrigado, por favor, bom dia ou com licença. Esquecem-se que a forma de falar de uma pessoa diz mais sobre ela do que o seu vestuário.

Já os elegantes, são diferentes: não expõem marcas, não falam das suas jóias ou dos seus bens, e acham sempre que menos é mais. A discrição é a sua palavra chave, e neles tudo é comedido, sereno, sem exageros.

Ser elegante é algo que tem a ver com atitudes: está muito além de ter dinheiro. É, fundamentalmente, ter educação. E o melhor traço dos elegantes é o respeito pelo outro: são generosos, sorriem, são suaves, não insultam e nem maltratam ninguém.

Alguém elegante não se imita – porque não basta ter, tem que ser. Ser educado, ser reservado, ser generoso, ser simples, ser distinto. E ser é algo difícil de conseguir: faz parte de um refinamento adquirido ao longo de anos, e que se entranha na pele, tornando-se tão natural quanto respirar. Ser é uma caraterística que pertence à alma e não ao dinheiro.

Atualmente as pessoas definem-se cada vez mais pelo dinheiro: há os que têm e os que não têm. Esta é uma forma simplista de classificar o mundo pelos padrões de consumo e riqueza. Simplista e, paradoxalmente, pobre.

O que nos define é a forma como tratamos os outros, porque isso diz tudo de nós. Não é o que temos, mas o que sai de nós que revela quem somos.

(Texto de Ivone Martins)

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